Poesía española

Poemas en español


Poema Poema violento

Estou,
Dou,
Escrevo
E rasgo.
Releio,
Vou, despejo
E vago.

Meu eu me ronda,
Afronta e se espalha
Feito fragmentos de palavra:
Eu sou a espada no papel da carne,
Que não consigo
Ferir.

Eu rio, nervoso,
Um riso vagabundo,
Na dança das linhas me embriago:
Estou desnudo.

Mutilo, o estilo,
Em teu corpo branco sedento
Linha em equilibrio, ato incestuoso,
Que não consigo
Atingir.

Se sou, não posso, se posso, não consigo:
Ando cego
Deste desamor.

Deixa eu rasgar tuas entranhas,
Infinitas vezes até gritar teu nome!

Prá te odiar mais,
Deixa eu tingir minha dor:
Corrompendo teu profundo
Em letras que descuidadamente
Irão repousar corrosivas
No veu da tua clara
Pele:

O rancor cresce, dilacerando o afeto,
A amargura explode, prostituindo a pureza:
Terminou inglório, amor,
O tempo da delicadeza.

Resta agora somente um tormento,
Parido no desgosto,
Deste poema
Violento.


Poema Poema violento - Guineaux Arquimedes